Artigos

Evangelização Mundial

Introdução

A obra missionária se constitui especificamente na tarefa da evangelização mundial. O Mandato Missionário que Jesus Cristo deu à sua igreja em geral e aos seus discípulos em particular tem como meta alcançar todos os povos e nações, a partir do compromisso pessoal de cada criatura, com o projeto salvador de Deus realizado em Cristo na cruz. A tarefa missionária tem caráter inclusivo em relação aos povos e exclusivo em relação à mensagem a ser anunciada ao mundo inteiro. A tarefa missionária precisa necessariamente incluir os cinco aspectos essenciais definidos pela estratégia elaborada por Jesus na Grande Comissão que se constituem na obra da igreja no mundo.

1 – PRESENÇA
INDO: A presença missionária na obra de evangelização mundial envolve o “indo” de Jesus Cristo para a sua igreja. Na concepção original de Jesus a progressão geográfica da marcha da igreja rumo aos confins da terra deveria ser uma conseqüência natural da experiência pessoal com o Salvador. Não existe uma ordem para a igreja ir ate os confins da terra, mas o reconhecimento de que isto seria inevitável na medida em que a mensagem fosse compartilhada. Na estratégia de Jesus a presença cristã é fundamental e essencial na obra missionária. Em muitos sentidos a presença da igreja no mundo se torna a maneira como a presença e a ação de Deus se realiza. Particularmente na figura de Corpo de Cristo, o povo de Deus no mundo se torna a forma como o mundo pode conhecer a graça e misericórdia de e receber a manifestação do seu amor. O Cristo eterno se realiza historicamente hoje no mundo através da presença do seu povo. A igreja hoje tem as mãos de Cristo que socorrem, tem os pés de Cristo que vão ao encontro dos perdidos, tem os olhos de Cristo que vêem as necessidades, tem a boca de Cristo que proclama perdão e salvação. A presença da igreja no mundo inteiro realiza o ideal de Deus de que o mundo veja a sua glória. A presença da igreja nos diversos campos missionários do mundo manifesta a presença do próprio Cristo de Deus em meio aos que amou e a quem buscou.

2 – PROCLAMAÇÃO
PREGAI: A presença missionária no campo traz a oportunidade de pregar o evangelho da redenção aos povos. O anuncio das Boas Novas pode ser feito de duas maneiras: pelo testemunho e pela palavra. Pelo testemunho se especifica a vida da igreja através dos seus membros enquanto testemunhas da operação da graça salvadora de Cristo. Pela palavra se especifica o anuncio das Boas Novas na pregação das verdades reveladas na Palavra. Na Grande Comissão o Cristo missionário envia a sua igreja ao mundo pregar a mensagem que ele mesmo veio trazer ao mundo. A igreja não deve anunciar outra mensagem senão aquela ensinada pelo Cristo de Deus e o discípulo não deve mostrar outra realidade senão a sua experiência de vida transformada pelo graça e misericórdia do Salvador e Senhor. Desta forma a mensagem que a obra missionária tem a proclamar não é a sua própria mensagem nem o missionário deve testemunhar da sua própria vida, mas sim as virtudes daquele que nos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz, ação que ele ainda realiza aos povos através da sua igreja e das suas testemunhas. Em suma missões se realiza no anuncio da pessoa de Cristo ao mundo, seja pela proclamação, seja pelo testemunho pessoal de vida transformada.  

3 – DISCIPULADO
FAZEI DISCÍPULOS: A proclamação do evangelho que ganha pessoas para o evangelho traz a segunda oportunidade de servir com a presença no campo: fazer discípulos. Aqueles que ouvem e recebem a mensagem são desafiados a um compromisso de vida com Jesus Cristo. O objetivo primário da proclamação do evangelho é fazer discípulos de Cristo, e não somente seguidores ou admiradores que o observam à distancia. Discípulos fazem o compromisso de vida de aprendizado diário com seu mestre. A mensagem das Boas Novas anunciada pela obra missionária ao  mundo deve ser de compromisso tanto em dependência consciente quanto em submissão amorosa ao Senhor Jesus. Neste sentido os  relacionamentos interpessoais no campo missionário se tornam imprescindíveis uma vez discípulos geram discípulos através do  convívio e aprendizado mútuo. Novos crentes entre os povos precisam de modelos humanos para aprender a viver o discipulado, praticar a ética do Reino, e aprender a compartilhar as Boas Novas a outras pessoas. Novos discípulos são não somente a garantia da continuidade e progressão da mensagem ao mundo, mas também prova cabal da obediência da igreja na tarefa da Grande Comissão. A igreja que trabalha para fazer discípulos e não somente para conseguir adeptos está realizando a obra de evangelização em sua visão integral no mundo. Afinal, a única ordem explicita e imperativa do Mandato Missionário de Cristo à sua igreja é “fazei discípulos”.      

4 – COMPROMETIMENTO
BATIZANDO-OS: os discípulos de Jesus Cristo devem ser identificados com o corpo de Cristo através do compromisso do batismo, o rito de passagem que identifica o homem natural que teve a experiência de tornar-se homem espiritual pela experiência de novo nascimento com Cristo através da igreja local. Não existe discípulo de Cristo sem compromisso pessoal com o Cristo. Não existe Igreja em seu sentido bíblico e particularmente neotestamentário sem compromisso pessoal,m compromisso de vida com o Cristo. Igrejas que não vivem este compromisso de vida com o Cristo de Deus pode ser tudo – agremiação, clube, ajuntamento, aglomerado, sociedade, associação, empresa ou qualquer outro tipo de agrupamento humano, mas não pode ser igreja, e muito menos igreja de Cristo. Por isso mais do que um compromisso com um corpo local, uma organização humana, ou uma denominação religiosa, a pregação do evangelho precisa levar pessoas a um compromisso pessoal com o Cristo de Deus, com o corpo espiritual que se manifesta na igreja viva e dinâmica que se manifesta como organismo espiritual, Corpo Vivo de Cristo no mundo. Esta identificação se estabelece pelo compromisso do discípulo com o Cristo da fé através do convívio interpessoal com os outros membros individuais que compõem o Corpo de Cristo vivo e ativo no mundo hoje: a igreja. Tal compromisso social se realiza como ato físico, temporal e histórico pelo batismo nas águas como símbolo do compromisso espiritual, essencial e eterno do discípulo com o mestre Jesus pela fé.  

5 – ENSINO
ENSINANDO-OS A GUARDAR TODAS AS COISAS: para a consecução desta tarefa em missões se torna necessário plantar igrejas que possam reunir os discípulos de Cristo para aprender as lições de vida cristã e treina-los como cidadãos do Reino de Deus no mundo.  Desta forma a presença dos missionários no campo se solidifica na presença da igreja formada pelos novos discípulos que receberam o testemunho missionário, foram por eles discipulados e aprenderam como viver o compromisso com Cristo através da adoração e do serviço cristão através da igreja local. Só existe um conceito de igreja no Novo Testamento: a igreja ensinadora. É tarefa da igreja estabelecer sua vocação de comunidade ensinadora das verdades divinas que operam as Boas Novas de Cristo no mundo. A evangelização do mundo na estratégia missionária de Jesus declara de maneira inequívoca a necessidade de ensinar  “todas as coisas” que ele nos tem ordenado. Isto traz à igreja missionária a responsabilidade de um ensino integral das verdades de Cristo. A igreja não tem o direito de ensinar o que considerar necessário e conveniente sobre o Cristo. Nem tem o direito de estabelecer por si mesma um “currículo oculto” na sua prática pedagógica evangelizadora. Não é da sua alçada definir o que ensinar ou o que não ensinar, uma vez que o Mandato Missionário estabelece a sua responsabilidade de ensinar todas as coisas a respeito dos atos revelados de Deus em Cristo. Somente quando ensina todas as coisas que Cristo mandou ela pode declarar que está cumprindo a Grande Comissão no mundo.

Conclusão
A evangelização mundial não pode fugir da realidade e da necessidade de estabelecer comunidades de fé que possam reunir os discípulos de Cristo e onde sua Palavra seja anunciada, ensinada e aprendida. Todos os aspectos do Mandato Missionário de Cristo apontam para o desafio de plantar igrejas. Este é o processo natural do progresso da evangelização mundial que precisamos reativar na tarefa missionária mundial em cinco aspectos principais:
1 – a necessidade de recuperar o espírito de pioneirismo na plantação de novas igrejas;
2 – a responsabilidade de intensificar o trabalho entre os povos não alcançados do mundo pela proclamação consciente do evangelho e pelo testemunho pessoal;
3 – revisar o conceito evangélico de discipulado cristão como realidade essencial da vida da igreja;
4 – ver os povos “escondidos” ou “invisíveis” pois somente ao vermos estes povos poderemos nos movimentar para alcança-los com a mensagem do evangelho;
5 – estar dispostos a trabalhar a adaptação cultural para alcançar pessoas próximas ou distantes geográfica e/ou culturalmente com a mensagem integral das Boas Novas.

Somente cumprindo o Mandato Missionário dado por Jesus Cristo a igreja poderá realizar a tarefa da evangelização mundial. Esta é a nossa tarefa no projeto original de Deus para a salvação do mundo.
 
Pr. Lúcio Guimarães
 
JPAGE_CURRENT_OF_TOTAL